segunda-feira, 6 de março de 2017

Resenha: Uma chance para recomeçar

Após finalizar a leitura deste livro, percebi que recomeços são necessários para viver, mesmo que isso seja doloroso em alguns momentos. Não sou a maior fã de romances adultos, prefiro os mais jovenzinhos.
A jovem Carina é uma workaholic, bem sucedida, com status sociais, rica e gerencia a empresa de supermercados do seu pai. Mas Carina, embora tenha conquistado tudo isso, se sente vazia em espírito. E com o estresse do trabalho algo inesperado acontece com ela e faz com que ela inicie um tratamento em uma clínica onde conheçe Aurélio. 
Aurélio tem deficiência visual e sofreu uma grande perda que abalou completamente as suas estruturas emocionais. Ele é uma pessoa completamente amarga e se prende ao passado de uma forma crente de que tudo poderá voltar a ser o que um dia foi. Por isso, ele acaba afastando as pessoas de si, fechando-se em suas lembranças de uma vida que não retornará.
Aurélio, no começo, trata Carina tão mal que eu me doia por ela só em ler o que ele falava! Ele parecia descontar todo o seu sofrimento nela, querendo afasta-la a todo e qualquer custo quando a mesma tinha somente boas intenções para ele.
O romance da autora nacional Diana Scarpine possui uma narrativa envolta em detalhes, críticas sociais e trata bastante sobre o preconceito (talvez as partes mais legais do livro). Em muitas partes, a leitura tornou-se meio cansativa por conter muita informação ou pelo os próprios personagens.
Embora o Aurélio tenha sofrido muito, ele é altamente preconceituoso consigo mesmo e se acha incapaz de conseguir conquistar alguém, o que o leva a um mimimi sem limites! E o mesmo acontece com a nossa protagonista feminina, Carina, que esconde a sua beleza do mundo e não acredita que é capaz de conquistar um homem. Esse fato me levou a estender mais a leitura porque em partes, isso era bem incômodo para mim. 
Outro ponto é, sem dúvida, o fato de que os personagens passam uma grande parte do livro desculpando-se. Eles estão machucados, sim, mas se doem por palavras impensadas que sairam sem querer, e em alguns pontos mesmo tendo em torno dos trinta anos, pareciam casais adolescentes. 
Como mencionei acima, a melhor parte da trama é as críticas sociais que a autora faz no livro, como por exemplo, a acessibilidade para os deficientes na cidade na Bahia onde a trama se passa. 
Para quem gosta de romances mais tensos e dramáticos, essa é sem dúvida uma obra que eu recomendo bastante para quem curte um drama em excesso!